Primeiras histórias

Como contamos na segunda-feira passada, decidimos testar o cenário fazendo contos. A ideia era conhecer mais nossa história, nossas personagens e interagirmos melhor na escrita conjunta.

Definimos alguns parâmetros para esses contos: teriam que ter no mínimo 500 palavras e não precisavam ter  tanta acuidade técnica (sem entregar uma coisa mal-feita, claro). Teríamos uma semana para finalizar os textos e discutiríamos a nossa produção na reunião de sexta-feira.

Os dois primeiros contos, meu e da Luísa, respectivamente, tiveram como títulos “A encomenda” e “O Centro”.

“A encomenda” falava sobre o contrabando de um item proibido para a Universidade, seguindo o ponto de vista da personagem em posse do objeto. Foi uma narrativa que explorou um pouco o clima da região e da vida urbana, introduziu um submundo criminoso no cenário e apresentou uma de nossas personagens principais.

“O Centro” foi um conto focado no ponto de vista de uma personagem secundária (criada especialmente para ele), apresentando um pouco da cultura de um de nossos povos e o estranhamento cultural com o lado cosmopolita da Universidade. Trabalhou o cenário físico, apresentando a Universidade sob o olhar de um aluno recém-chegado.

A partir da nossa análise, tivemos alguns pontos de discussão, dois em especial: os nomes (de novo) e o subgênero dentro da literatura especulativa que adotaríamos.

Temos uma preocupação muito grande com a integridade e coerência do cenário. Para alcançarmos isso, como já discutimos aqui no blog, nos importamos muito com os nomes. Ainda estamos tentando equilibrá-los para conseguir a influência brasileira que queremos e, ao mesmo tempo, dar um aspecto de fantasia. Um dos tópicos da discussão, dessa vez, foi sobre usar ou não nomes do Brasil Colonial como inspiração. Como ponto positivo, isso manteria os elementos simbólicos de fantasia e fugiria dos esteriótipos de nomeclaturas medievais. No entanto, como lado negativo, é uma inspiração fortemente portuguesa, o que leva muito para o medieval europeu e a colonização cultural.

No conto “A encomenda” tentamos nomes com inspiração colonial. Já no “O Centro”, nomes comuns da nossa cultura atual. Nenhum dos dois funcionou muito bem. Ficou decidido que tentaríamos de novo, fazendo modificações nos nomes e regras linguísticas novas para os nomes de cada cultura.

A segunda discussão foi mais tensa. Se você acompanha o blog, uma das nossas premissas de cenário é a existência anterior ao Cataclisma de uma sociedade tecnologicamente evoluída. No “O Centro”, havia termos mais atuais misturados, como “comunidade” e “eletricidade”, que traziam essa marca fora da fantasia como tentativa de elemento de estranhamento. A nossa discussão foi sobre qual gênero seguir e em que proporção estávamos escrevendo fantasia medieval ou fantasia pós-apocaliptica.

Eu, Bruno, particularmente, gosto muito de cenários de fantasia pós-apocaliptica. Já a Luísa prefere fantasia medieval, e como ela disse “me inscrevi nisso para escrever fantasia”. A parte pós-apocaliptica seria apenas um elemento de estranhamento do cenário, um ruído do passado que não poderia se impor.

Em função da história que construímos, depois de muita discussão, concordamos que, como centro de conhecimento antigo e cosmopolita, na Universidade a pegada seria algo como 90% fantasia medieval e 10% fantasia pós-apocaliptica. Isso seria mais perceptível nas descrições e nas ruínas do que na narrativa e nas palavras escolhidas. A medida que a história se afastasse desse epicentro, o cenário teria mais forte a pegada de fantasia.

Outro ponto foi que achamos os contos um pouco perdidos e mal-conectados um com o outro. Uma parte desse exercício é justamente explorar aspectos do cenário e a forma como o estamos construindo. Por isso, decidimos que os contos das semanas seguintes teriam temas. O nosso primeiro tema foi comida. Sendo um cenário tropical, a alimentação é bem diferente da europeia e percebemos que deveríamos explorar isso mais a fundo.

E sobre esses contos falaremos na próxima semana! =)

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Sobre Bruno Vial

Geek, fotografo, escritor, mestrando, besta e mentiroso. Tentando por mil caminhos.
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  1. Pingback: Segunda semana de contos | Escrevendo Fantasia

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