Mudanças

Recapitulando o último capítulo de nosso diário de bordo do Escrevendo Fantasia, no final de 2014 decidimos dar uma pequena pausa em nossos trabalhos, à guisa de férias. Essa pausa acabou se estendendo mais do que gostaríamos – quase um mês. Após o período, nos reunimos para discutir os rumos de nossos projetos – este blog, a página do Facebook e, principalmente, o livro de fantasia que pretendemos escrever a quatro mãos.

Por um momento, um momento apenas, o clima ficou tenso. A pergunta que ninguém queria fazer pairava naqueles segundos de silêncio, “a gente vai continuar ou desistir?”. Afinal, em seis meses de trabalho, ainda não tínhamos sequer uma página do livro escrita – apesar de termos dezenas de páginas sobre formação de mundo, cultura, idiomas, história, personagens… E, embora a página do Facebook estivesse bombando, com 350 seguidores apenas na divulgação boca a boca, e o blog estivesse periódico e com bons índices de visitação, sem o livro de fantasia, todo o resto perdia o sentido de ser. Afinal, são dois veículos que tratam sobre nossa experiência de escrever fantasia.

Felizmente, o “climão” não durou muito. Porém, sabíamos que, dali em diante, ou entrávamos de cabeça no projeto de uma vez, ou o encerrávamos. Era a hora do “ou vai, ou racha”. O momento de ajeitar o que tivesse para ajeitar e colocar a coisa para funcionar, de uma vez por todas. Eu fui a primeira a manifestar um incômodo, algo que não tinha chegado a elaborar antes, mas que foi fazendo sentido à medida que eu vocalizava meu desconforto: na ânsia de criar um cenário fantástico que não tivesse influências europeias, acabamos por eliminar qualquer influência brasileira, também. Estávamos na outra ponta do espectro, mas com o mesmo problema de muitas autoras e autores brasileiros. Só que, ao invés de termos como cenário um pastiche da Inglaterra medieval, tínhamos um pastiche de um mundo fantástico num universo africano aleatório. Uma realidade a qual nenhum de nós dois pertencemos. Pretendíamos escrever sobre aquilo que não conhecemos, sujeitos a cair nas mesmas ciladas que alertamos aqui no blog – generalizações, descrições capengas, desvalorização de nossa própria cultura em prol de outras. Não era isso que queríamos para o nosso livro de fantasia.

No entanto, o que fazer agora? Dezenas de páginas com criação de mundo. Regras linguísticas para todas as culturas. Páginas e páginas cobrindo aspectos que vão de economia a moda. O Bruno veio com a solução: vamos começar a escrever. Vamos aparar essas arestas enquanto escrevemos.

Mas seria muito complicado começar a escrever o livro de cara. Precisávamos conhecer e testar o cenário, as personagens, as dinâmicas. Por isso, decidimos que cada um ia escrever, por semana, um conto ambientado em nosso universo, mudando o que acharmos que deve ser mudado, para então compararmos os aspectos e discutirmos como as coisas devem ficar. Afinal, já tínhamos um primeiro paradigma: “abrasileirar” as coisas. Trazer de volta os elementos que podem lembrar a Europa, mas que fazem parte de nosso dia a dia – afinal, não podemos negar que também temos influência europeia, principalmente portuguesa, em nossa cultura. Chegamos à conclusão de que o que queremos não é negar os aspectos europeus, como estávamos fazendo – apenas valorizar, também, as outras influências de nossa cultura, especialmente as advindas de etnias indígenas e africanas. Além disso, os contos serviriam não apenas para sentirmos melhor as personagens e entrarmos em contato com o cenário, mas também como futuro material de referência.

Assim, com ânimo renovado, partimos para o trabalho! Na próxima semana, falaremos sobre o resultado de nossos primeiros contos.

Tenham uma boa semana e continuem escrevendo fantasia!

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