Fazendo o esqueleto de sua história

Da mesma forma que você pode montar um esquema para a sua criação de mundo, como mostramos nessa postagem, você também pode criar um “esqueleto” da sua história. O esqueleto é uma linha temporal dos eventos que acontecerão ao longo do livro, conto ou noveleta. Envolve o desenrolar tanto dos eventos maiores, isto é, que tem proporções no cenário macro – uma invasão alienígena, por exemplo -, quanto os acontecimentos de importância para cada personagem – graduação, morte de familiares, entrada em um novo emprego, etc.

Muitas autoras e autores não gostam de delinear os esqueletos de suas histórias, por afirmarem que isso pode tolher a criatividade. Gostam de começar com uma ideia inicial e desenvolvê-la a medida que a história se desenrola. Porém, construir o esqueleto antes de começar a escrever pode ser uma boa estratégia para se organizar melhor e ter um “norte” na história, evitando bloqueios de escrita – mesmo que, ao longo da história, o planejamento possa mudar.

Em nosso caso, já que nos dispomos a escrever um livro a quatro mãos, traçar o esqueleto é essencial para manter a história “nos trilhos”. Em nossa experiência individual, entretanto, utilizamos o planejamento prévio para trabalhos mais longos, como livros, e o descartamos em contos ou crônicas, por exemplo.

A seguir, apresentamos um passo a passo sobre como construir o esqueleto de sua história.

1) Decida as ligações entre personagens

Nesse ponto, você já deve ter uma noção de quem são as suas personagens e como são suas personalidades – se não, escrevemos um tutorial sobre isso aqui. Agora, faça um rascunho com as personagens principais, como elas se interrelacionam e atribua pelo menos um objetivo ou motivação para cada personagem. Assim, você terá uma boa visão de quais objetivos entram em conflito e quais se complementam. A partir daí, poderá construir as relações futuras das personagens – o que, de saída, já pode te dar várias ideias para a história.

Perceba que a lista inicial de interrelações não se confunde com a de objetivos. Duas personagens podem ser amigas no começo de uma história, mas se tornarem inimigas no decorrer da trama, por possuírem o mesmo objetivo. Da mesma forma, um antagonista pode se tornar aliado da personagem principal.

2) Decida quais obstáculos ficarão entre cada personagem e seus objetivos

Esses obstáculos podem ser outras personagens ou acontecimentos. O que cada personagem irá fazer para chegar em seu objetivo? E como irá impedir que outros alcancem o mesmo objetivo? Alguns dos objetivos são conflitantes? E quais serão os acontecimentos que influenciarão as motivações?

A partir dessas decisões, você já pode organizar as informações em uma linha temporal. Para cada personagem principal, coloque os obstáculos e principais acontecimentos relacionados aos objetivos.

Lembre-se: um objetivo inicial pode se modificar ao longo da trama. Da mesma forma, acontecimentos podem influenciar as personagens e mudar suas motivações. Assim, uma personagem cujo único objetivo era ganhar um torneio de espadas pode rever suas prioridades ao ter seu irmão assassinado por outra personagem, por exemplo.

3) Decida os eventos do cenário macro

Nessa fase, você deverá colocar na linha temporal os eventos inexoráveis, isto é, aqueles que vão acontecer independente da vontade das personagens – a invasão alienígena que citamos no exemplo do começo do texto, um eclipse com consequências cosmológicas, uma mudança de governo, dentre outros. Nesse ponto, é importante voltar aos obstáculos de cada personagem e ver se esses eventos irão influenciá-los, ou mesmo se irão mudar as prioridades e motivações de cada uma.

4) Toques finais: decida o destino final das personagens

Por fim, decida se cada personagem irá alcançar seus objetivos e o ponto em que a história irá terminar. Nem todas as personagens conseguirão alcançar todos seus objetivos, por óbvio, mas é importante que você, como escritora ou escritor, estabeleça uma finalização para suas personagens.

Muitas escritoras e escritores dizem que, para dar veracidade à história, é importante que suas personagens – mesmo as protagonistas – falhem em alguns objetivos ao longo da trama. Embora não sejamos tão radicais – mesmo que, em nosso caso, gostemos de colocar as personagens para “suar a camisa” – acreditamos que, no mínimo, é importante que sua personagem tenha vitórias parciais, isto é, que as coisas aconteçam dentro de seus objetivos, mas não inteiramente como previa.

É importante frisar que esses passos são apenas uma “linha” para que você não se perca durante a história. Embora possam ser aplicados na ordem em que surgem no esqueleto – ou seja, cronológica -, de forma alguma restringem uma história à linearidade. Caso você não queira escrever sua história assim, é só desconstruir a linha temporal durante o processo de escrita – por exemplo, uma personagem aprisionada se lembra de partes deslocadas de sua trajetória por meio de eixos temáticos, como no livro “O Romance d’a Pedra do Reino e do Príncipe do Vai e Volta”, de Ariano Suassuna.

E você, costuma fazer o esqueleto de suas histórias?

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