Últimos ajustes antes do primeiro capítulo

Criamos um cenário. Mitologias, história, geografia, sociedades. Detalhamos linguagens, costumes. Cobrimos economia, moda, sistemas de governo, peculiaridades. Desenvolvemos as principais personagens da história e suas relações. E, por fim, sentamos para conversar sobre nossa plot.

A dinâmica de escrita difere muito de uma pessoa para a outra. Algumas apenas escrevem, deixando que sua inspiração as guiem. Outras, planejam cada momento da história, criam um esqueleto com uma linha geral a ser seguida.

Em um livro escrito por duas pessoas, a primeira opção é um tanto inviável. Para sabermos o que está acontecendo, como está acontecendo e porque aquilo vai acontecer – e, assim, conseguirmos nos guiar na escrita -, decidimos seguir o segundo método, ou seja, fazer uma linha geral dos eventos que queremos e precisamos que aconteçam no livro.

Já falamos um pouco sobre nossa construção de plot aqui no blog. Mas essa primeira construção foi das plots centrais do livro, desenvolvimentos e objetivos. Nessa reunião, tomamos decisões mais concretas.

Primeiro, decidimos que não estamos necessariamente escrevendo uma saga. A história terá quantos livros forem necessários para que seja contada – inclusive, se for o caso, apenas um livro. A decisão parece banal, mas em tempos de épicos e grandes sagas de fantasia, a princípio nos pareceu certo que escreveríamos, no mínimo, uma triologia. Na verdade, foi um momento de iluminação quase transcendental quando olhamos um para o outro e dissemos “talvez isso vá ser um livro apenas”. Resumindo, o que decidimos é que não enganaremos nossas leitoras e leitores, enrolando por 18.209 livros apenas para “vender mais”. Foi uma decisão bem consciente e – enfatizamos –  libertadora. Decidimos que vamos contar a história que queremos contar, leve isso 30 ou 20.933 páginas.

Com isso em mente, passamos a criar o esqueleto da história que queremos contar. Armados das personagens, das principais plots e do cenário completo, foi bem mais simples fazer essa segunda parte – o que não quer dizer que foi fácil.

Organizamos o livro em partes, ou arcos principais. O primeiro arco, por exemplo, se passará na universidade. Dentro de cada arco, fizemos um esqueleto com os principais eventos, colocando-os em ordem cronológica. Também decidimos como cada um desses eventos se liga aos demais e quais seriam suas consequências. Mais do que isso, pensamos em como esses eventos afetam nossas principais personagens e em como elas reagiriam ante a essas situações.

Foi uma discussão longa, que não durou apenas um dia. Foram duas reuniões para esboçarmos bem esse esqueleto. No fim,  conseguimos encaixar os principais acontecimentos, entender o que significam para a história, para o nosso universo ficcional e como afetam as personagens.

Também decidimos nosso sistema de escrita conjunta, prazos para entregar capítulos, revisar o texto, reescrever trechos. Decidimos que cada um teria duas semanas para escrever um capítulo, depois a outra pessoa teria uma semana para reescrever/revisar. E então alternaríamos no próximo. Ou seja, a cada três semanas teríamos um capitulo novo e revisado.

E tiramos par ou ímpar para saber quem começava escrevendo.

Isso feito, só faltava uma coisa: escrever. E aí vem o verdadeiro drama, que fica para a próxima postagem de segunda. =)

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Sobre Bruno Vial

Geek, fotografo, escritor, mestrando, besta e mentiroso. Tentando por mil caminhos.
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