Criação de mundo – História e Culturas

Como dissemos no último post, a geografia, a história e as culturas do nosso cenário foram criadas quase ao mesmo tempo. Narramos, na semana passada, a parte da criação física, do nível cósmico ao ecológico. A descrição física do mundo serve como substrato que ajuda a definir o desenvolvimento social e cultural de um mundo – que, por sua vez, altera o ambiente.

Nosso mito fundador explica a constituição física do mundo, assim como as habilidades especiais sobrenaturais existentes. A partir disso(e com essa influência em mente), passamos a construir a história cronológica do cenário, o desenvolvimento das civilizações, suas relações e definir como o mundo chegou no ponto onde está.

Fazer a linha cronológica de um cenário não é uma tarefa simples. Primeiro, porque a história não é uma linha contínua e que se faz sentido perfeitamente em causa e efeito. Segundo, é necessário pensar na complexidade do cenário, nos acontecimentos que se passaram em diversos lugares e tempos diferentes e como se relacionam e influenciam o futuro.

Decidimos portanto quais eram os parâmetros importantes e os fatos históricos que colocaríamos como necessários para a plot: houve, em um passado longinquo, uma grande civilização, cuja crença era a do principal mito fundador do cenário. Eles eram grandes detentores da energia intrínseca e tinham conhecimentos avançadíssimos nessa área, o que os fazia muito poderosos. No entanto, uma praga os dizimou e jogou o mundo em um tempo de incertezas. Em algum momento nesse cenário, surgiu o embrião da universidade. O mundo evoluiu e surgiram diversas sociedades, que se unificaram em uma sociedade global desenvolvida. Isso não significa dizer que era totalmente uniforme, mas que os aspectos culturais das sociedades que a antecedeu se mitigaram e miscigenaram. Havia, de fato, um governo único, com diversas vertentes culturais que se misturaram bastante ao longo do tempo.

No auge dessa sociedade, aconteceu o cataclisma. As pessoas que sobreviveram passaram a se isolar e viver quase como nômades. Se não fosse a força energética inerente a alguns seres humanos, provavelmente seriam extintos como raça. Ao longo do tempo, enquanto o cataclisma se “acalmava”, as pessoas foram se juntando nos locais mais tranquilos, criando novas conexões e desenvolvendo estilos linguísticos próprios, derivados de uma língua mãe mundial que foi utilizada quando o mundo era uma única sociedade unificada.

Esse foi nosso pressuposto básico de como as novas culturas do mundo se formaram. Elas possuíam alguns traços em comum, como estruturas linguísticas e histórias do passado. Nos anos de isolamento, os traços mais distintivos dessas culturas antigas se acentuaram, assim como a mistura com outras. A moda se tornou bem diversa, e alguns direitos sociais e individuais, antes garantidos, foram mitigados pelo retrocesso técnico e social. Apesar de fragmentada, existe uma matriz jurídica semelhante entre esses agrupamentos. O conhecimento se perdeu em grande medida, com algumas das culturas herdando partes distintas. O que sobrou de mais intocado do passado foi a universidade, que se tornou o principal centro de conhecimento do mundo.

Definimos os critérios essenciais das culturas: língua, governo, economia, moda, produção artística cultural, padrões sociais de aceitação quanto a questões de gênero, sexualidade, liberdade individual, atuação social.

A primeira construção dessas culturas e desses traços ficou sob a responsabilidade da Luísa. Ela desenvolveu esses aspectos – tudo devidamente escrito em um arquivo de referência – de acordo com a região em que as pessoas se localizavam, com costumes que adquiriram no presente ou herdaram do passado. Também definiu como o ambiente influenciou na moda, quais as etnias dominantes e como isso altera os padrões de percepção de beleza, qual a forma como cada uma dessas sociedades lidava, inclusive linguisticamente, com questões de gênero e sexualidade.

É importante lembrar aqui que nós estamos trabalhando com sociedades fragmentadas a partir de uma sociedade antiga que alcançou o ápice de desenvolvimento tecnológico, político, jurídico e social.

(SPOILER ALERT >>>>>>>>>>>>

Embora essa sociedade não tenha feito o mesmo no nível de direitos individuais, o que é parte da plot.

<<<<<<<<<<<<<<<<<< SPOILER ALERT)

Um ponto muito relevante, especialmente para nós, é conseguir manter a coerência linguística. Isso nos ajuda a dar coesão ao livro, coerência e fazer a história mais crível ao leitor. Como não somos Tolkien e filólogos profissionais, baseamos nossas línguas na matriz do latim e escolhemos línguas derivadas para cada sociedade (português, italiano, francês, espanhol, romeno) de forma a manter justamente esse critério de existência de uma língua mãe anterior. Colocamos traços em comum entre duas ou três culturas por vez, quase em análise combinatória, para simbolizar essa antiga miscigenação, e fizemos as principais influências de cada uma. Decidimos quais os traços característicos de uma língua, alteramos algumas de suas regras para um cenário de fantasia. E interligando tudo isso, está a universidade, que detém maior conhecimento do passado. Isso tudo entrou para o nosso material de referência, para podermos começar a escrever o livro.

Você notou algo de errado nisso tudo? Pois é, nós notamos algumas semanas depois. Mas isso fica para um post futuro =)

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Sobre Bruno Vial

Geek, fotografo, escritor, mestrando, besta e mentiroso. Tentando por mil caminhos.
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