Criação de mundo – Decisões cósmicas e ecológicas

Na semana passada, a gente falou sobre a nossa criação da plot principal e das plots secundárias e sobre como traçamos os esqueletos dos arcos de desenvolvimento, tanto no cenário macro – social e político – quanto no cenário micro – pessoal e de relacionamento – das personagens e grupos de poder.

Como já dissemos, a construção da plot não aconteceu sozinha. Ao mesmo tempo em que a criamos, tivemos de reestruturar a geografia (tanto geopolítica, quanto geologicamente), a história e as culturas. Uma das coisas que temos sempre em mente ao construir nossa história é que tudo está conectado. Assim, ao mexer uma linha, você move a teia inteira da construção. Por isso esse trabalho prévio é tão importante, pois nos dá as bases necessárias para podermos narrar algo sólido e crível.

Recapitulando nossas premissas: algumas pessoas são dotadas de uma energia intrínseca, que se manifesta na criação ou manipulação de matéria, de formas energéticas ou da psique. Existiu, em algum momento, uma sociedade mundial desenvolvida social e tecnologicamente que, após um cataclisma, foi extinta. Há uma universidade, que retém parte dos conhecimentos do passado e que ensina as pessoas a controlar aquela energia.

Foi com base nesses pontos pétreos que construímos nosso mundo. Podemos dividir a formulação do cenário em três categorizações: geografia, história e cultura.

Hoje, nossa narrativa aqui vai contar sobre nossa geografia e mostrar a vocês um pouco do nosso mundo =)

Decidimos que nosso cenário e nossa história poderiam ter explicações tanto de cunho místico, quanto científico. Assim, nossas premissas básicas de formação e existência do universo são paralelas às de nosso mundo real, se diferenciando a partir da mitologia. Essa foi a primeira definição geográfica, a estruturação cósmica. Nos aspectos geomorfológicos, o mundo que criamos possui características semelhantes ao nosso universo e ao nosso planeta.

Nossa segunda definição sobre geografia foi que o mundo era pequeno – tanto em termos de tamanho, quanto em comparação à proporcionalidade de terra e água. Nossa terceira definição foi que o mundo estava, quase em sua totalidade, dentro da faixa tropical. Por fim, definimos que, no passado, o mundo também era um lugar geologicamente tranquilo. Isso significa que não havia vulcões em erupção, terremotos, maremotos ou furacões. As pessoas não estavam cientes da existência desses fenômenos, senão em lendas de um passado remoto, imemorial e mitológico.

O cataclisma da premissa teve como causa primordial a ação humana, mas desencadeou, nos séculos seguintes, grandes convulsões geológicas no mundo. Esses fenômenos ocorreram em uma escala que extrapolava qualquer parâmetro prévio registrado. Assim, o mundo, que antes tinha apenas um continente, se viu dividido em uma grande massa continental e um grande arquipélago, além de incontáveis ilhas. Aqui o esboço de nosso primeiro mapa:

"Primeiro" mapa

Bem, uma confissão. Esse não é realmente o primeiro mapa. O primeiro mesmo se perdeu irremediavelmente na bagunça e provavelmente tornou-se lixo em meio a milhares de outros papéis jogados fora em algum surto de limpeza. Esse mapa aqui foi feito em um dos nossos encontros, quando procuramos o primeiro. Ele foi desenhado em 2 minutos como um esboço geográfico para trabalharmos, então não é nenhuma obra prima ou um mapa de “Senhor dos Anéis” ou “Crônicas de Gelo e Fogo”. E foi modificado depois (e provavelmente ainda será muitas vezes até o final do livro, esperamos. Esse não ficará muito bem no apêndice).

Outras questões que a geografia implica é a definição dos tipos de clima (predominantemente tropical, no nosso caso), dos acidentes geográficos que servem de demarcações (escolhemos principalmente os rios, por serem abundantes em um cenário tropical) e de como o ambiente influencia a fauna, flora e meio de transporte básico (fluvial e lento, pois escolhemos não ter cavalos no cenário. A natureza tropical é densa e dificulta o transporte terrestre).

A geografia de um mundo é um dos principais fatores em suas construções históricas e culturais. Um mundo grande, com vários continentes se traduz, quase sempre, em uma vasta diversidade cultural ou mesmo evolutiva, causada pelo isolamento geográfico. Nós decidimos tomar outro caminho. Partimos de um mundo que foi unificado e se fragmentou.

Nossa fragmentação da porção terrestre seguiu padrões de intensa atividade sísmica, vulcânica, de movimentações tectônicas bruscas e violentas, tais como não experimentamos sequer em nosso mundo real. Houve uma convulsão mundial que fragmentou o continente original em uma parte continental (dividida em duas, ligadas por um istmo), um arquipélago de grandes ilhas centrais com ilhas menores em volta e muitas outras ilhas, tanto de origem vulcânica, quanto fragmentária. Isso não apenas dividiu territorialmente o mundo, como também isolou populações.

Ou seja, a partir da nossa construção geográfica, começamos a fazer nossas culturas atuais e suas histórias, que serão o tema da semana que vem =)

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Sobre Bruno Vial

Geek, fotografo, escritor, mestrando, besta e mentiroso. Tentando por mil caminhos.
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