Construção, elementos e problemas de plot

Plot é como costumamos chamar no Escrevendo Fantasia a trama ou enredo de uma história. Resumidamente, são as etapas em que ela se desenrola. Na literatura especulativa, muitas vezes, a história gira em torno de um evento maior,  e a plot é a cadeia de acontecimentos da   narrativa.

É muito comum que escritores e escritoras iniciantes tenham dificuldade com as plots de suas histórias. Os problemas variam desde a narrativa não ter plots (uma conversa, uma cena aleatória) até chegar em algum ponto da trama e “travar” por não saber mais para onde conduzí-la. Por isso, reunimos algumas teorias e dicas para você compreender esse elemento e aprender a manejá-lo. Mas, primeiro, vamos ao básico:

O que é a plot, afinal?

A escritora de fantasia norte-americana Elizabeth A. Lynn responde muito bem à essa pergunta. De acordo com ela, “plot é simplesmente isso: Maria e João ficaram presos numa armadilha de ursos. Como eles vão se livrar?”

Dentro desse exemplo, podemos observar que a plot não é apenas a ação de sair da armadilha, mas todo o desenrolar, desde chegar ao local do acontecimento até o que farão quando finalmente se soltarem. A plot é o esqueleto de sua história, a espinha dorsal na qual ela irá se apoiar.

Claro que a “armadilha de urso” pode tomar outras formas: as personagens podem estar fugindo, perdidas num universo paralelo, em um dilema ético sobre uma nova tecnologia, tentando descobrir se estão sendo traídas por outra personagem…

Ou seja: a plot não é só “ação”, ela pode ser composta por outros tipos de conflitos. Então, já que falamos de conflito,

Quais os “estágios” da plot?

Apesar de não ser uma “regra oficial”, as plots geralmente podem ser divididas em alguns estágios. Saber cada um pode ajudar a visualizar melhor sua história e fornecer ferramentas para planejá-la. Os estágios são:

Situação inicial – aqui é onde tudo começa. Você apresenta os personagens e cenário a quem lê.

Quebra da situação inicial – algo ocorre que perturba a harmonia da situação inicial.

Conflito – surge uma situação com que as personagens precisam lidar ou que precisam resolver.

Clímax – o desenrolar dessa situação e de suas consequências chega ao ponto máximo de tensão.

Desfecho – a solução do conflito. Não precisa ser necessariamente positivo para as personagens.

Muitos autores e autoras gostam também de usar a “jornada do herói”, um conceito clássico muito utilizado em filmes e na literatura, apresentado no livro “O Herói de Mil Faces” de Joseph Campbell. Você pode observar cada uma das fases nessa figura:

Jornada do Herói

Tais estruturas podem ajudar a organizar sua plot, nas são apenas isso: estruturas, formas de organização. Você não precisa seguir cegamente esses passos, tampouco nessa ordem. (A jornada do herói, inclusive, é alvo de bastante polêmica. Algumas das críticas dizem que já foi usada à exaustão). O importante, no final do dia, é que sua plot seja crível.

O que fazer para minha plot ser crível?

Enxergar sua história com honestidade. Muitos escritores e escritoras, especialmente iniciantes, estão tão conectados às suas criações que têm problemas em julgar a qualidade do próprio trabalho. Por isso, mantenha a máxima: se você conseguiu encontrar um furo na história, o leitor ou leitora também vai!

Da mesma forma, garanta que seu conflito não tenha outra saída possível e mais fácil. Um exemplo clássico disso é a grande discussão envolvendo Senhor dos Anéis, de Tolkien. Você provavelmente já ouviu falar dela: envolve as águias gigantes e uma forma mais rápida e segura de levar o Anel até Mordor. Embora existam discussões se isso seria ou não possível, (e não queremos aqui entrar na polêmica), o ponto é: se houver algo que resolva mais facilmente ou de maneira mais efetiva o conflito, sua plot está furada. Para evitar isso, você pode refletir sobre as possíveis soluções, inclusive apresentando às personagens mais de uma resolução – o dilema pode, inclusive, dar ainda mais pano pra manga.

Outro erro comum de autores e autoras iniciantes é utilizar o Deus ex Machina – literalmente, “Deus da Máquina”. Esse termo faz referência ao drama grego, quando, em algumas peças, uma crise aparentemente insolúvel era resolvida por um deus (trazido ao palco em um intrincado maquinário) com seus poderes divinos. Na literatura, ocorre quando a pessoa quer tanto manter as personagens nos trilhos e a história da forma como a imaginou que apela para acontecimentos aleatórios e intervenções pouco prováveis. Um exemplo:

“Uma princesa foi sequestrada por um dragão. Ninguém conseguiu resgatá-la. Na hora em que o dragão vai matá-la, um raio o acerta e ele morre. Fim.”

O problema com o Deus ex Machina é que pode demonstrar que o escritor ou escritora não definiu muito bem a sua plot ou que não consegue, por meios críveis, mantê-la dentro de sua estrutura. Pode ser visto como imaturidade na escrita, uma saída fácil para problemas e situações que não previa. Também pode gerar frustração para a pessoa que lê, que se sente enganada ou frustrada com o acontecimento “do nada”. Falaremos mais sobre o Deus ex Machina no futuro, mas por agora o que você precisa saber é: a intervenção pareceu aleatória? Não use – a menos que isso faça parte de um plano maior ou que seja um elemento que vá compôr seu cenário a longo prazo.

Essas são algumas formas de tornar sua plot crível. Quais você utiliza?

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