Segundo Ato

Continuando a saga, no final da última reunião nós combinamos de realizar algumas pesquisas sobre os temas discutidos e nos encontrarmos na sexta-feira seguinte.

Por diversos fatores, no entanto, não tivemos essa reunião pelas próximas duas semanas (a culpa foi minha, especialmente. Eu, Bruno, trabalho também como correspondente jurídico para escritórios e advogados de fora de Brasília, e nas sextas-feiras acabei precisando realizar alguns desses trabalhos).

Na verdade, nos encontramos várias vezes nesse período, inclusive nessas sextas-feiras (já que a Luísa me acompanhou para realizar os trabalhos de diligência), e conversamos pela internet todos os dias. Mas em raros momentos o assunto do livro veio à tona, e quando veio foi com um ar de procrastinação já conhecido por quem tem projetos que morrem.

O que percebemos depois é que nenhum dos dois estava ansioso em continuar com o cenário que havíamos montado. Não nos tocou realmente e isso foi uma das primeiras frases na outra sexta-feira, quando finalmente nos reunimos. Não gostamos do cenário e não estávamos empolgados.

Já havíamos construído diversas coisas e feito algumas – poucas – pesquisas. Após algum silêncio, a conclusão não precisou ser anunciada. Jogamos quase tudo fora para começamos de novo. Apenas continuamos com os mesmos pressupostos básicos: universidade, fantasia, cultura tropical, e o que chamamos antes de “Anima”, nome provisório para uma energia intrínseca a algumas pessoas que se conecta em vibração com o mundo. No mais, a estrutura da cidade que havíamos criado, as relações econômicas e políticas que pensamos, as ideias de pequenas plots (plots = enredos. Usaremos plot daqui em diante, pois é do nosso vocabulário usual), enfim, todo o resto foi jogado no limbo do esquecimento.

Mudar é geralmente uma decisão difícil. Esse caso não foi muito controverso, pois havíamos começado a pouco e não tínhamos ainda envolvimento com o cenário ou com a ideia geral. Mas não precisamos ser tão extremistas para saber que mudar algo pode ser uma decisão complicada. Quantas vezes você não tinha um esqueleto da história já pronto, mas no meio percebeu que a ideia inicial poderia ser muito melhor, se fizesse uma série imensa de alterações sistemáticas em tudo que tinha escrito até aquele momento?

Precisávamos de um novo conceito para o livro. E por isso, precisamos de mais um brainstorm. Discutimos algumas ideias que não nos levaram a nada até chegarmos ao seguinte: “Houve uma civilização antiga, extremamente desenvolvida e baseada no uso da energia intrínseca e que acabou em um grande Cataclisma, que praticamente destruiu o mundo. O mundo retornou a um estado de tecnologia de padrão medieval e fantástico, e quase todo o conhecimento do passado se perdeu. Existe uma universidade, na qual ficam os possuidores da energia. Essa universidade é quase uma prisão para eles, que não podem deixa-la sem a permissão dos líderes.”

Com base nessas premissas, resolvemos organizar os trabalhos. Fizemos uma lista do que julgávamos necessário para construir o livro. Os pontos destacados foram os seguintes:

– Cenário: geografia; sistema de uso da energia; cultura; religiões; políticas; sistemas econômicos; línguas; moda; história; mitologia fundadora.

Plot: Principal; secundárias; interpessoais.

– Personagens: Principais; secundários; antagonistas; deuteragonistas.

– Estrutura narrativa: Ponto de vista e tipo de narrador.

Essa lista não é muito tecnicamente acurada, mas consideramos estes os pontos basilares para o livro. Discutimos, por fim, qual a ordem necessária do desenvolvimento de cada ponto. Geralmente, ao escrever temos uma ideia inicial – seja um personagem, uma plot, ou um cenário -, sobre a qual todo o restante será construído. Como dissemos, esse não é o caso desse projeto. O que tínhamos, de fato, era a ideia vaga de uma universidade. Consideramos começar pelas personagens, afinal, é importante se interessar pelas pessoas sobre quem você vai escrever. Mas sem sabermos de onde vieram, onde estão, em qual tempo e sua formação sócio-cultural, percebemos que era difícil defini-las. Decidimos a geografia por alto, em um primeiro esboço, e fizemos uma divisão de núcleos ideológicos genéricos, apenas para nos situarmos.

No fim, valeu a velha máxima. Começa-se do começo. Portanto, os primeiros pontos a serem desenvolvidos seriam: mitologia fundadora e história. Ademais, como a energia seria uma parte essencial do cenário, dada suas repercussões em todos os segmentos da história e sociedade, seria também preciso criar um sistema para ela. Com base nisso, pensaríamos as culturas e as personagens.

E foi assim que encerramos a reunião, com a divisão do trabalho e muito mais entusiasmados. Ao longo do projeto, falaremos do desenvolvimento de cada um desses pontos, na construção do livro ou nas dicas de quarta-feira.

 

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Sobre Bruno Vial

Geek, fotografo, escritor, mestrando, besta e mentiroso. Tentando por mil caminhos.
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